Ontem, 17/jan/2012, recebi a triste noticia do falecimento de meu tio Amador Fama.
Para mim sempre foi um tio especial, não no sentido de proximidade já que tínhamos pouca, mas no sentido figurativo, visto que minha mãe tinha um foto dele em nossa sala, no vidro transparente da cristaleira, onde aparece ainda bem moço, montado em um belo cavalo branco, segurando nas mãos um relho com cabo de prata. Parecia um São Jorge. Aliás, essa foto desapareceu da nossa casa, nunca mais a vi.
Sempre foi o mais extrovertido e o mais divertido dos irmãos de minha mãe, tendo morado com ela por um pequeno período, antes de se casar, pois tinha brigado com meu avô, Paulino Fama, que era um pater famílias amoroso, mas bastante severo. Tio Amador era alegre, festeiro, gostava de beber, gostava de cantar. Quando criança virei seu fã, pois vi ele cantar uma bela moda de viola em uma festa na Lavrinha, na casa de sua sogra, que mexeu com minha paixão pela música.
Sempre foi muito trabalhador, a vida inteira trabalhou na roça, no sol a sol, sendo o último dos irmãos a abandonar o sítio do Bairro dos Famas para morar na cidade. Só mudou para São Miguel Arcanjo quando velho, após sua aposentadoria. Criou um monte de filhos, chegando um deles a se ordenar padre, creio que mais pela devoção de sua dedicada esposa Maria, sempre muito católica e uma pessoa muita especial, cuidando de meu tio e de seus filhos com muito amor até o fim de sua vida. Nunca vi minha tia reclamar de nada ou falar mal de alguém.
Meu tio era tão irrequieto que jamais conseguia assistir a missa por inteiro. Isso na maior parte de sua vida.
Enfim, a vida passa e somente ficam as boas lembranças das pessoas que fizeram parte de nossa vida, em algum momento especial.
Descanse em paz Tio Amador, você viveu a vida e cumpriu a sua missão.
sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
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