...Vivemos num mundo assoberbado pela ganância e pelas coisas fugazes. Nossa gente, o povo da pequenina São Miguel Arcanjo está inserida nesse conceito deste tempo avassalador. O materialismo assoberba o mundo e o mundo está se debatendo numa enorme crise financeira sem precedentes, desde o pequenino Grécia, até os Estados Unidos, considerado o país mais poderoso da terra. Os homens do poder, desde o alto escalão até os mandantes das cidades mais simples se enchem de dúvidas. Há cúmulos e nimbos no firmamento universal. Estamos numa completa mutação. Mudam-se as nações, muda-se o homem, mudam-se as instituições. E nesta terra, porque é que as coisas não mudam?
...A violência e o desrespeito imperam por aquitambém, na minha cidade pequenina; no meu pedacinho de chão tentando sobrepujar o direito e a razão. Esse é o retrato atual, o triste panorama da realidade de hoje. Olhamos em volta e o nosso futuro é feito de incertezas. É necessário que a consciência das pessoas se encaminhe para o equilíbrio entre o direito e a moral, repudiando todas as atitudes às avessas e atos contrários aos anseios do povo, principalmente dessa gente humilde que amanhece na portas dos Centros de Saúde, ou mendigam uma ambulância.. Faz-se urgente o combate a corrupção em todos os níveis, assim como frear a conduta violenta dos nossos jovens.
...Ocultas nessa ganância que se generalizou neste chão verde-amarelo, ainda é tímida a ação de combate às drogas, da pedofilia e da exploração da prostituição infantil. Sob o manto do consumismo, gera-se violência, dando ao homem a compreensão mesquinha do seu destino triste, tendo diante de si apenas uma perspectiva exclusivamente materialista: ter para poder. E poder para aniquilar! Essa filosofia matou a solidariedade e por isso, todos nós, ainda jovens, já estamos sofrendo de solidão e tristeza. Uma dor angustiante que a gente não sabe dizer como é, mas que se definiu para melhor entender como “depressão”, oriunda de causas múltiplas. A solidão de um destino individual!
...O desequilíbrio social e econômico, com enormes concentrações de riqueza contribui para a progressividade da violência. Certos indivíduos pessoas, extremamente materialistas buscam somente o acúmulo de riquezas, relegando ao descaso o potencial humano e o caráter das pessoas, ignorando que a pobreza de muitos é a conseqüência do bem que está na mão de poucos privilegiados e por isso não vêem o perambular sem destino de muitos, como escórias da sociedade, principalmente nos centros urbanos de pequeno porte onde a oportunidade e a escassez de emprego é muito mais acentuada.Eu tenho saudade de São Miguel do meu tempo. Uma cidade pobre até não poder mais,mas sobretudo humana.
...Por outro lado, muitos homens procuram a perfeição. Como ela não é possível, se frustrando. Outros buscam a auto-suficiência. Quando erram prosseguem altivos aprimorando a própria existência. Quando vencem são invejados ou tornam-se vitimas de boatos, mas não se curvam. Continuam batalhando pela dignidade pessoal e pelo bem comum. Eu, particularmente acredito que o melhor fruto da profissão de jornalista é o aprendizado adquirido com a observação dos fatos. No garimpar de histórias observamos o comportamento do ser humano e o processo de desenvolvimento.
...Estamos num tempo de crise e de transformação. Como filho desta terra queria que essa transição não fosse o triste retrato em preto e branco de uma juventude desperdiçada à beirado caminho perdida na droga, enquanto outros mergulharam a existência no álcool num caminho sem volta. São os dedos hirtos da miséria de espírito sobre a essência humana esse desenrolar dramático e repetitivo em todo o país. Parece que estamos perdendo a luta quando observamos belas adolescentes entregues às futilidades da vida com uma latinha de cerveja na mão em busca de um rodeio onde os peões “beijam muuuiiito”.
...Parece que perdemos nas últimas décadas a oportunidade de desenvolver grandes projetos nas diversas áreas da cultura, como teatro, música os quais poderiam ser patrocinado pela Prefeitura ou por entidades empresariais, mas parece que ainda predomina a filosofia de estancar a bica e fechar a torneira porque essas coisas não dão voto e por isso foi bem melhor colocar uma pedra em cima dos ideais. É tempo de transformação. Mais que isso... Já é outra vez, tempo de eleição. Vamos correr atrás do prejuízo e mudar de vez a fisionomia do município?
...Até a semana.
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