domingo, 13 de novembro de 2011

HOMO O QUE? - Orlando Pinheiro

...Com essa onda de homofobia e até casamento homossexual fico de queixo caído observando que o Brasil surpreendeu o mundo nos últimos trinta anos, não só por tirar 28 milhões de brasileiros da pobreza e levar 36 milhões para a classe média. A ascensão social de tanta gente não diminuiu a desigualdade social como ampliou o número de pessoas condenadas à prisão. Tanto que há poucas vagas nos presídios. Existe o cordão de pessoas na fila de espera para conseguir uma boquinha na pensão do governo. Uma boa quantia por falta de pensão alimentícia. O individuo se acasala com a primeira que aparece, dá umas pingoladas bem dadas e quando os filhos aparecem como uma responsabilidade real dá no pé... Cadeia pra ele.

...Há tantos criminosos soltos que nem foram ainda pegos. Há criminosos que nem sabe que o são, tais como os sangradores de cavalo em arena para o povo aplaudir. Estes nem foram condenados, porque numa cidade pequena como a nossa a conivência de pessoas importantes corroborando com crime na certeza de que é uma simples diversão. Assim foi com a briga de galo até a lei se tornar mais rigorosa, Esses pessoal que se diverte solto por aí precisa ser pego e condenados.

...Político que pratica o tal crime do colarinho branco correm n busca de um alvará que lhes garante uma vaguinha no sistema penal em uma cela menos deprimente com permanência e mordomia paga por todos nós. É difícil de acreditar mas um preso incomum como um corrupto custa muito mais para o governo do que a manutenção de um bandido comum em cana. Assim sendo, o futuro do Brasil não está na assistência mantida pelas bolsas sociais do governo ou na cadeia. Os direitos individuais e os direitos humanos do cidadão garantem isso. Já é tempo de se pensar numa bolsa cadeia...

...Mas iniciamos inicie esta prosa falando sobre o grupo de homo preferência, seja lá qual for e divagamos num vôo rasante pelo sistema penitenciário para onde vai o cidadão que de agora em diante resolva fazer gracinha com esse grupo amparado pela lei. Preconceito e campanhas antipreconceito estão na moda. Vivemos um tempo onde tudo é moda. Só a moda de viola está perdendo espaço para o batidão e o sertanejo universitário, o que me faz sentir cada vez mais um caipira autêntico com mestrado.

...Estamos tão acostumados com manias e obsessão passageira. Nos meus escritos sempre procurei me despir de qualquer ranço e me despir de qualquer preconceito, seja contra a péle, cor dos olhos, cabelos extravagantes, baixinho, gordo, pessoa menos inteligente, ou aquelas que tenham qualquer defeito físico ou problema mental. Espichei minha compreensão até no jeito das pessoas se amarem. Mas o maldito preconceito está entranhado no ser humano. Faz parte da sua natureza perversa. É uma coisa que surge do nosso desconhecimento com o diferente e por isso, exige de nós muito esforço para ser vencido.

...Não acredito em campanhas oficiais, orquestrada pelo governo contra pró-anti-qualquer preconceito. O governo não deve sair por ai empunhando bandeira com as cores do arco-íris.Ele só deve garantir o direito das pessoas e a dignidade delas em todas as questões humanas., desde alimentação, saúde, educação, moradia, intimidade e privacidade. A intimidade é um item que anda em segundo plano na sociedade.

...É difícil para a nossa cultura (?) brasileira aceitar o outro como ele é, pois sempre nos consideramos melhores. Achamos sempre que é a nossa idéia e postura que as pessoas deveriam seguir. Isto está implícito nas doutrinas das igrejas, sejam elas quais forem, onde o pecado se tornou um fardo tão pesado para os mortais carregarem. Porque não aceitamos o outro como ele é? Gago, tímido, surdo, alto, magérrimo, lento de raciocínio, de outra raça ou credo, pobre ou mal amado? Sem tratar ninguém como coitadinho como fazem as campanhas em geral.

...Gente do céu! Precisamos preparar nossos netos no regaço do nosso lar para se livrarem do estigma desta geração insensata, mergulhada no superficialismo e na cultura da latinha de cerveja, quando não, na frase semi-analfabeta do texto mal feito das páginas de relacionamento. É em casa que tudo começa a regência de uma terra com menos crime, sem corrupção. É só lá em casa que educamos os nossos para não ser mau caráter e nem corrupto e abolir do cotidiano o cinismo, a violência, e respeitar os outros.

...É triste ver nestes tempos leva de meninos nos seus nove ou dez anos sendo estimulado pelos pais para se dedicarem ao futebol na esperança de ser um Neymar, esquecendo de vez o mínimo de instrução. Muitos jamais chegarão lá e abandonaram na infância o rumo que tomariam na vida. Foi essa falta de apoio que levou aquele jogador emparedar a namorada, depois de ser estraçalhada pelos cães. Ele tinha muito dinheiro, mas não tinha suporte psicológico. Agora está lá mofando numa cela comum, pois não possui nem curso superior e nem tem colarinho branco para requisitar um lugar melhor. O goleiro Bruno é o retrato da falta de suporte psicológico familiar. Para terminar, quero afirmar que não me prendo à questões de orientação sexual, mas a tudo que está exposto visceralmente. Pobres, ricos, gente com tênis de marca, roupa de grife, brancos ou negros, pobres ou ricos são todos brasileiros querendo valorizar-se, mas vão se submetendo a interesses que emanam da futilidade de outros.

...Até a semana.

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