Caro Orlando
Pena que não pudemos bater um papo furado no festival, pois ambos estávamos preocupados com nossas obrigações... Achei, como v., que o mundo é da juventude, nós já passamos, mas servimos para contar histórias para os netos, que ainda não temos. O nosso mundo agora é outro, precisamos criar um espaço para nós. Continuo achando que o papo furado de boteco é bem mais barato que o psiquiatra, e tem mais efeito para curar os nossos medos...e males da alma. Por tudo que passamos na vida, saindo de uns fundos de vale da Santa Cruz dos Matos, até que conseguimos mostrar a que viemos, pois conseguimos criar os nossos filhos, tendo bem mais do que tivemos. O grande problema é que o nosso coração não envelhece, somente encaramos a realidade quando olhamos no espelho, sentimos que o jovem não existe mais, mas ele teima em não querer sair do nosso peito, olhando para o futuro com um pouco de receio, mas ainda com ânsia de viver. Sentimos falta dos que partiram, fica um buraco do lado esquerdo. Segue para o seu deleite, duas máximas da criatividade do gênero humano: a música e a arquitetura. Essa igreja do Gaudi, em Barcelona, é de tirar o fôlego, acho que somente a música salva a religião. Abraços, fiquei feliz em revê-lo forte e saudável. Senti falta do Ray-o-vac e da Elisa, que também ficaram velhos. Alias, como v. senti falta de todos nossos amigos, que ficam agora trancados em casa, sem ter a coragem de olhar o novo. Estamos vivos, tá bom.
Aparício Dias
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