domingo, 6 de dezembro de 2009

Rápidas

Rápidas
Orlando Pinheiro


...A gurizada mal esperava chegar em casa para ler um bom gibi do Fantasma. Assim que o seu Tico tocava o sininho do final das aulas, e a fila saia do Gomide para fora, era só garoto tirando revista em quadrinhos debaixo da camisa. Verdadeiro terror dos professores esse deleite da garotada. Se um aluno fosse pego com um gibizinho, por mais pequenino que fosse já vinha castigo na certa. História em quadrinho deixa a mente preguiçosa, diziam os professores naquela época.

...Eram histórias bem feitas. Um bom argumento que mexia com o imaginário dos meninos. Todas as revistas desenhadas em preto e branco. As melhores histórias eram as do Flecha Ligeira; Búfalo Bill; Buck Jones; Capitão Marvel; Roy Rogers; Dale Evans... Só heróis americanos. Acho que era pra gente colocar na cabeça, desde criança, que os americanos salvariam o mundo. Herança ufanista do pós guerra. No meio dessa plêiade de gringos apareciam aqui e acolá alguma revista do Jerônimo, o herói do sertão e Juvêncio, o justiceiro. Este último, um nordestino plasmado no Zorro de capa e espada, porque o outro Zorro, aquele que era amigo do Tonto, chamava-se na realidade “Cavaleiro Solitário”. Era Zorro numa versão só aqui prá nós, gurizada simplória do Brasil.

...No quadrante de São Miguel Arcanjo, do Guapé ao Pacinho, ou do ribeirão do matadouro até as cercanias do Gijo Válio não havia rapazote que não tivesse sua coleção de gibis. Quando saia uma edição nova, principiava uma correição de empréstimo de revista. Um verdadeiro intercâmbio cultural de história em quadrinho. O cinema complementava dando vida aos heróis lúdicos na tela, mesmo sendo também em filme preto e branco.


...Cheguei ter um caixote de madeira em baixo da cama contendo cerca de quinhentos gibis. Meu irmão, no tempo dele, superou a contagem das mil revistas. Isso tudo era pouco em relação a algumas pessoas que chegavam possuir verdadeira gibiteca em casa, com muito mais de dois mil exemplares. E o mais interessante. Não havia banca de revista na cidade.

...A farmácia do Tatau era ao mesmo tempo drogaria e revistaria. Ainda bem que ele nunca vendeu nenhuma droga de revista. As edições proibidas com mulheres nuas em pêlo, o Acácio Vassão as guardava num cofre. A gente insistia para o Moacir Pereira (que depois ficou sendo Moacir da água) que era o balconista, para ele nos mostrar. Mas o Moacir dizia não saber o segredo do cofre. Até hoje tenho curiosidade de saber quem comprava as tais revistas de mulher pelada naquele tempo. Quem sabe o Tatau ainda me conte, um dia...

...Nós, lá da Vila Nova, fazíamos também nosso intercâmbio com o Juracy Fama; com o Aparício Dias, com o Canhoteiro; com o Guezico e com qualquer outro que topasse dar três revistas velhas por uma nova, ainda com cheiro de tinta. As garotas já começavam a participar dessa maratona cultural popular, trocando entre elas, as primeiras revistas de fotonovela. A revista Capricho que ainda circula entre a moçada, já é uma senhora idosa. A área feminina foi tomada pela publicação de fotonovela italiana com Grande Hotel, Contigo, Ilusão, Sentimental e a brasileiríssima Sétimo Céu, a pioneira em fotonovela em cores.


...Ler fotonovela era o maior entretenimento das moçoilas adolescentes do meu tempo e de tempos anteriores. Provavelmente melhor que isso, era só namorar feito o casal da fotonovela. Mas, como antigamente não se fazia o que se faz hoje, pelo menos explicitamente, o jeito era sonhar ser um galã como Sandro Moretti ou Marcelo Mastroianni, mesmo tendo ao lado algo não muito parecido com atriz italiana. A TV demoraria a aparecer para ditar normas e regras e criar celebridades, pelo menos por cinco minutos.


...Quando a televisão chegou por aqui, foi algo meio decepcionante naqueles começos de anos 60. O maior meio de comunicação de todos os tempos chegou tímido na cidade. Somente três ou quatro mais abastados tinham condições de possuir um aparelho. A imagem era toda chuviscada por falta de um retransmissor. O ritual da novela começou com “Ricardinho, sou criança e quero viver” da TV Bandeirantes, em 1968. No ano seguinte, após o acasalamento da TV Excelsior com a TV Continental, nascia a TV Globo, a messalina platinada, estreando seu horário nobre com “Sangue e Areia” e Silvio Santos no domingo.


...Era o principio do fim das histórias em quadrinhos. Os garotos passaram a ser excitados precocemente pela Rita Cadillac e outras “chacretes” que levantasse a perna em rebolado sensual. De repente, o que só se via nas revistinhas proibidas do Carlos Zéfiro, passou a fazer parte da nossa sala de estar e diante dos olhos de quem quer que fosse, ensinando definitivamente a quem quisesse, aquilo que Mariazinha foi fazer atrás da moita. Final dos tempos, diria minha avó.


...Nossa maior alegria mesmo era quando saia um almanaque com 130 páginas coloridas. Era entretenimento por um dia inteiro e mais um pouco. As revistas coloridas foram um marco editorial. As revistas da Disney, somente o Mickey, trazia a história principal em cores. As histórias secundárias eram em duas cores. Hoje há centenas de títulos e milhares de revistas bem desenhadas com profusão de matizes. Mesmo os professores que tanto combatiam as revistas em quadrinhos cederam as adotam como recurso didático. Não quero ser retrógrado, mas de vez em quando dá vontade desligar a TV e ler um bom gibi do Tarzan à sombra de um abacateiro como antigamente ouvindo o canto de um sabia, ah dá...

...Até a semana.

domingo, 29 de novembro de 2009

Carta

Caro Orlando

Não entendi bem o contexto da discussão mas acho INACEITÁVEL de que a NOSSA cidade não tenha Santa Casa. Isso é o MAXIMO da incopetência e até mesmo algo que fere os mais profundos instintos democráticos. Não seria melhor todos se unirem para que possamos reativar a Santa Casa. Meu filho nasceu naquela Santa Casa de São Miguel Arcanjo mesmo podendo nascer nos melhores hospitais da França .

Lembro como fosse hoje o dia em que decidi trazer da Europa a minha esposa francesa para São Miguel Arcanjo para que meu primeiro filho Luhan pudesse ter em seus documentos a naturalidade de São Miguel Arcanjo.

Tenho orgulho de que meu avô, pai, eu mesmo e o meu filho nascemos na cidade. Acho importante que todo valor seja dado aos verdadeiros São Miguelenses. Hoje temos na cidade muitos "aventureiros" de "fora" que não conheçem e nem respeitam o valor sincero de ser São Miguelense.

Conte com o meu apoio para poder usar de todos os canais politícos que tenho aqui em Brasilia onde resido ou até mesmo no Estado de São Paulo para que possamos alavancar em conjunto uma recuperação da imagem desastrosa da nossa cidade.

Se uma administração deixa FECHAR a Santa Casa o que então seria PRIORIDADE ? Asfaltar ruas ? o que ? realmente fico pasmo com tal fato.

Um forte abraço e continue a sua luta para elevar ao mais alto patamar a imagem, reputação, cultura e saga da nossa querida São Miguel Arcanjo

Atenciosamente,

João Gilberto Vaz
Empresário

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Carta

Prezado Sr. Miguel Terra
Jornal Postal-S.Miguel Arcanjo

Tenho acompanhado a discussão formada em torno da moção de aplausos emitida por um ilustre vereador da nossa camara municipal ao Banco Santander de nossa cidade e concordo plenamente com o Sr. Orlando Pinheiro em criticar tão desnecessária moção, haja visto que o tal Banco Santander em nada contribui no dia-a-dia de nossa cidade para facilitar a vida das pessoas que ficam até uma hora em interminaveis filas para poderem pagar um simples imposto atrasado da Prefeitura Municipal, sem que se de solução alguma para o caso. Aliás, elogiar Banco em nosso País só se o "cara" for banqueiro mesmo, porque do contrário, não dá.
Creio que a função do vereador, no caso, seria exigir dia sim e dia não, a reabertura da nossa Santa Casa, da nossa Maternidade, de tapar os buracos das ruas de nossa cidade, de acabar com as filas imensas nos Bancos e no caso específico do Santander, exigir que os outros Bancos da cidade façam a mesma coisa.
Quanto a defender o Banco Santander, quero lembrar ao nobre vereador que o governo do estado vendeu o maior banco do Estado de São Paulo, o Banespa, que criava empregos e contratava funcionários através de concursos públicos e lembrá-lo que funcionários comissionados são contratados para cargos de confiança (assim como na Câmara Municipal) e portanto, são cargos que não exigem concurso público, e são passíveis de demissão a qualquer momento.
Lamentável portanto, que nossos vereadores, ao invés de nos defenderem das implicancias políticas dos poderosos de plantão, percam o seu precioso tempo em moções para alguns apaniguados enquanto o povão mesmo tem que enfrentar filas e mais filas se quiser ser atendido.
Oswaldino Meiga-Rayovac

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

“Mais vale uma ausência presente, do que uma presença ausente
O querer estar junto, traz para junto, o que junto não está”...

Tréplica

TRÉPLICA AO VEREADOR ELIAS DA AMBULÂNCIA

Exmo Sr. Vereador

Elias Rodrigues de Paula

Usando do direito de tréplica que a Constituição me permite, venho por meio desta, informar à V.Sa. que a matéria publicada no jornal Postal é de minha autoria, assim como todas as notícias dessa egrégia Casa de Leis publicadas pelo jornal A Hora, desde Junho deste ano, até a presente data. Igualmente, cabe-me esclarecer que a matéria em pauta teve a finalidade de reportar na íntegra o que foi discutido em plenário e gravado por este jornalista, o qual assiduamente assiste em todas as segundas feiras às sessões, provando desta forma não estar tão distante assim. Estamos na era da globalização e plugados no mundo através da internet. Assim sendo, não há necessidade de estar de “corpo presente”

Por outro lado, não tive a intenção de depreciá-lo, coisa que não é do meu feitio e tenho pelo nobre vereador sincero apreço, tanto que o recebi no meu programa de rádio e logo após, em minha modesta residência, na noite, quando V. Exa. sentiu-se constrangido pelo fato do prefeito Luiz Gonzaga Albach ter reassumido o seu cargo por força de liminar da justiça. V Exa. estava acompanhando nessa noite o prefeito em exercício Miguel José Ribeiro, o Miguel da Capela. O artigo escrito sobre a moção ao Santander não tinha conotações de atingi-lo como pessoa. A publicação do direito de resposta não lhe dá privilégio de presumir minha atitude se caso fosse funcionário do Banco Santander, pois a partícula “se” é um artigo indefinido, uma presunção. A moção é um fato e não uma mentira. V. Exa. teria direito de resposta se fosse caluniado ou injuriado o que não aconteceu. Apenas transcrevi o que disseram seus companheiros e expus o funcionamento de um banco por dentro. Por incrível que pareça, nobre vereador, eu fui funcionário do Santander até 2002. Quanto às mazelas políticas às quais V. Exa se refere, incluindo aleatoriamente o nome do presidente do PMDB são fatos ocorridos no alto escalão e que nunca chegaram até nós, simples funcionários. Se era cabide de emprego nunca procurei saber e nunca tive prova, pois assim diz o povo de todas as instituições oficiais, incluindo as Câmaras e Prefeituras do país inteiro. Como sabê-los?

Talvez V. Exa. não saiba pois é muito jovem, mas quando bancário, trabalhando em prédio provisório do Jorge dos móveis, a gerência da agência decidiu, nos anos setenta, abrir bem mais cedo para os velhinhos assistidos do Funrural que vinham de longe, enfrentando geada rigorosa para receber meio salário mínimo. Essas pessoas ao adentrarem a agência eram recebidas com uma garrafa térmica de chocolate quente, ato feito por pura humanidade. Nessa época, não havia nenhuma lei determinando atendimento preferencial.

Com relação a tirar crianças de rua, do mundo do crime, da prostituição esse foi meu trabalho pastoral no “Esquadrão Vida” por muitos anos. e iríamos longe se fossemos fazer uma demonstração estatística. Estenderia também, se fosse usar como minha defesa o trabalho desenvolvido por mim na “ACAP” - Associação Cristã de Assistência Plena com mendigo e menores de rua. Mas isso não tem mérito nenhum. É trabalho de cristão que não pode ser levado em conta. Como radialista, usei do microfone em defesa dos mais frágeis, como estou fazendo agora com minha tréplica.

Falando em política, V. Exa. Se esquece que eu estiva do seu lado no palanque no seu último comício? V. Exa. Não sabe que a voz que anunciava o seu nome na propaganda, além da voz do Xuruco Amgartem era a minha? Viu como eu estava presente? Se for para falar em política, só devo lembrá-lo que eu fui um dos fundadores do antigo MDB nos anos difíceis da ditadura, quando ninguém queria se candidatar a vereador. Primeiro porque não ganhava um tostão e segundo, porque estava sujeito a ser preso, conforme a fala interpretada pelos agentes de repressão. Se V. Exa. diz hoje o que diz ou fala o que pensa é porque nós sofremos até a última gota de sangue para lhe dar de presente o seu direito inalienável de se expressar. Não foi à toa que o Zizo morreu há 40 anos. Por isso, nobre vereador, posso ser inteiramente contra suas idéias, mas se precisar de mim, vou defender até a morte o seu direito de expressá-la.

Nobre vereador, quem não for passivo de erro, não avança. Mas por favor, não me julgue. Eu sou capaz de fazer o que V. Exa faz e muito mais, porque já fiz, e sem precisar concorrer à cargo eletivo. Não é só em Câmara de vereadores que se manipulam e fazem leis. Por outro lado, nunca o menosprezei como ser humano, afinal só lhe conheço superficialmente. Escuto as suas preleções apenas nas sessões. V.Exa. também não pode avaliar minha vida acadêmica, pois não sabe o que eu sou e nem o que faço. Nunca me julguei sábio! Pelo contrário, eu sempre me achei um burro mesmo. Mas, se Sansão, ajudado por Deus, matou os filisteus com uma queixada de burro, o que Ele não fará comigo que sou um burro inteiro? Não somos ser humanos capacitados por Deus. Sabemos disso quando fazemos coisas construtivas e positivas. O que lhe desagradou não foi minha matéria. Desagradável foi a reação e o comentário dos seus pares ante o seu projeto. Em tempo algum pensei alfinetar de alguma forma o cidadão Elias da Ambulância por quem eu tenho admiração e respeito. Aparadas as arestas, peço ao nobre vereador que fique em paz. Seu nome jamais será mencionado nas reportagens que eu vier a fazer, mesmo que V. Exa. consiga reabrir a Santa Casa para não criar futuros embaraços. Digo-lhe mais. Não responderei também qualquer mensagem escrita por parte de V. Exa. referente a este artigo para não criar celeumas, concorrendo para valorizar o nome do político na mídia. Recorro a meu direito de me permanecer calado, pois não ofendi ninguém. Apenas falei a verade.

Atenciosamente

Orlando Leme Pinheiro

Jornalista Profissional

MTb 24.459/SP

Veja

Direito de Resposta